Levei meses desde o lançamento do projeto até decidir publicar esta série, a última parte do primeiro ensaio do projeto, clicado pelo fotógrafo Ricardo Rico. Mas se um dos motivadores do Projeto é mostrar que o corpo humano não deveria ter que ficar escondido, e se ereções são reações naturais do nosso corpo a um sentimento de excitação, por que deveriam ser censuradas? Expor publicamente uma imagem que revele uma ereção dá a sensação de que é preciso justificá-la, como se eu fosse ofender alguém, ou no mínimo ser mal interpretado. Existe ainda o lamentável receio de que o “artístico” do meu trabalho vá ser refutado pelo teor explícito, sexual ou “apelativo”…

Cada ensaio fotográfico, pra mim, é uma performance. E os momentos em que a excitação acontece podem estar carregados de energia sexual, mas também de desejo, empoderamento, satisfação, concentração, prazer ou mesmo vergonha ou inocência. Ereções masculinas são quase sempre consideradas sexuais e associadas à pornografia, mas também poderiam ser observadas pela perspectiva da emoção, onde a imagem, a pose, podem ou não ser sexualizadas. Eu gosto de experimentar e aproveitar as sensações que me ocorrem ao invés de suprimi-las; explorar as contradições nas sensações e nas reações do observador. Olhar pra imagens como essa me faz questionar não apenas o que estava acontecendo no momento da fotografia, mas quais, como e por que essa sensações me acometeram.

Hugo por Ricardo Rico para o The Lonely Project (erections, ereções) Hugo por Ricardo Rico para o The Lonely Project (erections, ereções) Hugo por Ricardo Rico para o The Lonely Project (erections, ereções)

Uma ereção torna uma imagem automaticamente pornográfica? Afinal, o que é pornografia?